domingo, 3 de julho de 2011

I Can Hear The Heart Beating As One - Yo La Tengo (1997)




"Return to Hot Chicken" – 1:38
"Moby Octopad" – 5:48
"Sugarcube" – 3:21
"Damage" – 4:39
"Deeper into Movies" – 5:23
"Shadows" – 2:27
"Stockholm Syndrome" – 2:51
"Autumn Sweater" – 5:18
"Little Honda" – 3:07 (Brian Wilson, Mike Love)
"Green Arrow" – 5:43
"One PM Again" – 2:25
"The Lie and How We Told It" – 3:19
"Center of Gravity" – 2:42
"Spec Bebop" – 10:40
"We're an American Band" – 6:25
"My Little Corner of the World" (Bob Hilliard, Lee Pockriss) – 2:24


Download



No mundo da música existem vários artistas que nunca alcançaram o sucesso merecido. Apresento-lhes Yo La Tengo.

Eu conheci o Yo La Tengo assitindo MTV de madrugada. No clipe um trio composto por um casal e um homem com aparência nerd apareciam em uma gravadora onde seriam dispensados e encaminhados para uma “escola de rock” para que eles aprenderiam a ser estrelas. No clipe uma figura que satiriza Gene Simons tenta ensiná-los a pular e quebrar guitarras. Coincidência ou não, o clipe lembra bastante a trajetória do Yo La Tengo.

Quando baixei o I Cam Hear The Heart Beating As One me surpreendi com a qualidade e originalidade da obra. Ao buscar informações sobre a banda na internet descubro que ela é pouco famosa, lembrada apenas por um pequeno numero de fãs de alternativo que a idolatram. Sua trajetória foi marcada pelo anonimato, mas principalmente pela importância dentro do estilo, sendo um dos influentes para toda a onda alternativa que surgiria na década de 90.

O som deles é difícil de descrever de maneira simplória. É alternativo por excelência. Transitando entre guitarras distorcidas que lembram o Velvet Underground e Sonic Youth e as melodias pop e arranjos mais simples.

I Cam Hear The Heart Beating As One é o trabalho mais lembrado da banda. O álbum é composto por 16 variadas músicas. Sendo a maioria delas verdadeiras jóias. “Surgarcube” é uma típica música de pop alternativo. “Deeper Into Movies” tem uma melodia maravilhosa e uma guitarra constante. “Shadows” é uma doce balada cantada pela voz suave de Georgia Hubley. Que lidera a banda junto ao marido Ira Kaplan.

O álbum continua apresentando um pop simples com a acústica “Stockholm Syndrome” e a eletrônica “Autum Sweater”. O disco ainda tem espaço para experimentalismos e faixas instrumentais, nas guitarras distorcidas de “Spec Bebop” e na relaxante slide-guitar de “Green Arrow”. Também aparece no álbum um pouco de bossa nova, na música “Center Of Gravity”

Apesar da pouca fama o álbum conseguiu ser incluído na lista da SPIN Magazine’s dos 90 melhores álbuns da década de 90. Aparecendo em 51ª lugar. Muito pouco para um álbum que é obrigatório para os fãs de rock alternativo.

05 - Deeper Into Movies

08 - Autumn Sweater



The Madcap Laughs - Syd Barrett (1970)




01 - Terrapin (5:04)
02 - No Good Trying (3:26)
03 - Love You (2:30)
04 - No Man's Land (3:03)
05 - Dark Globe (2:02)
06 - Here I Go (3:11)
07 - Octopus (3:47)
08 - Golden Hair (1:59)
09 - Long Gone (2:50)
10 - She Took a Long Cold Look (1:55)
11 - Feel (2:17)
12 - If It's in You (2:26)
13 - Late Night (3:10)


Faixas-bônus:

14 - Octopus Takes (1 & 2) (3:09)
15 - It's no good trying (Takes 5) (6:22)
16 - Love You (Take 1) (2:28)
17 - Love You (Take 3) (2:11)
18 - She Took a long Cold Look at me (Take 4) (2:44)
19 - Golden Hair (Take 5) (2:28)


Download




Dizem que a personalidade do artista influencia diretamente a sua obra. Por mais que não seja de sua intenção e muitas vezes nem sequer de sua consciência, as marcas mais profundas da mente do autor estão sempre presentes em sua produção. Seja de forma mais profunda ou de forma mais direta. No caso de um artista enigmático com uma personalidade difícil marcada por problemas mentais e uso estupendo de LSD como Syd Barrett, sua obra parece com um espelho de toda a confusão mental que ele vivia. Em The Madcap Laughs, Syd apresenta uma obra que a primeira vista parece muito despretensiosa com uma espontaneidade assustadora. Apesar de estar cercado de artistas, entre eles, os seus ex companheiros de Pink Floyd, sua condição psicológica o manteve em um isolamento pessoal que foi determinante para que o disco ficasse tão autentico e descontraído.

A obra é simples se tratando de arranjos. A faixa que inicia a obra, “Terrapin” é uma bela canção de amor que conta apenas com o violão e algumas frases de guitarra no fundo. A fórmula minimalista e sutil se repete em faixas como “Long Gone” e a sensacional “Dark Globe” onde Syd canta como um uivo desafinado e frenético de maneira totalmente própria. Em “Late Night” que encerra o disco, Syd canta calmamente acompanhado de um maravilhoso riff de slide-guitar, que foi tocado com um isqueiro. O Disco também tem espaço para o pop excêntrico de “Here I Go” e “Love You”. Syd Barrett toca guitarra e canta como se estivesse sozinho em casa.

A psicodelia aqui nada lembra o caos sonoro e o experimentalismo do Piper At The Gates Of Dawn. É um álbum simples e suave. Syd Barrett aqui deixou sua marca com um trabalho que é ao mesmo tempo estranho e de fácil assimilação.



01 - Terrapin


06 - Here I Go


King Crimson - In The Court Of The Crimson King (1969)






1 - 21st Century Schizoid Man
2- - I Talk To The Wind
3 - Epitaph
4 - Moonchild
5 - The Court Of The Crimson King


Download




O que falar do King Crimson? Dizer que é uma banda genial é como "chover no molhado", mas para ser mais direto, pretendo falar um pouco sobre o disco de estreia desta banda que foi uma das inventoras do rock progressivo.

No final da década de 60 - que foi o período mais criativo do rock - estavam surgindo as bases de todas as tendencias musicais que vingariam na década seguinte. Foi quando em 1969 um grupo de músicos liderados pelo britânico Robert Fripp formaram o King Crimson. Em seu álbum de estréia a banda apresentou algo totalmente novo para o contexto que se passava naquela época. Músicas bem elaboradas, longas, experimentais, letras poéticas e melancolias, vocais sombrios, arranjos jazzisticos e muita criatividade marcam o seus álbum de estreia.

O disco começa com um riff de sax poderoso e apocalíptico. A música segue com um desenvolvimento rápido - levado pela brilhante bateria de Michael Giles - arranjos de Jazz e muitas mudanças de ritmo. 21st Century Schizoid Man tem uma letra que compõe visões sobre o individuo na sociedade futurista. A sociedade é descrita a partir de imagens abstratas "Cat Food, Iron Claw; Death Seed" ou por previsões de uma paranoia do consumo "Neuro-surgeons scream for more"; "Nothing he's got he really needs"

Em seguida, vez a minha faixa preferida do álbum. I Talk To The Wind é iniciada  por uma flauta. suavemente tocada por Ian McDonald que introduz à música um clima mais sutil do que o da faixa anterior. Quebrando um pouco a virtuose que abria o disco e iniciando uma atmosfera mais calma. Um grande destaque dessa faixa deve ser dado ao baterista Michael Giles que conseguiu unir muita suavidade com técnica e improviso. A bateria passa por constantes mudanças de velocidade. A sensação que se tem é a de que cada nota está sendo tocada perfeitamente em seu tempo. A letra é composta por um belo poema sobre a solidão, onde o eu-lirico mostra as suas inseguranças. É o tipo de música que é carregada de uma emoção verdadeira. A letra consegue atingir uma grande profundidade e consegue narrar com precisão as sensações mais abstratas que se possa imaginar "Im on the outside, looking inside, wath do i see? Much confusion, disilusion, all arround me"

Epitaph é a faixa mais e triste do álbum. É uma música que é acompanhada pelo violão e uma orquestra de mellotron que a introduz em um clima denso e melancólico. Os vocais de Greg Lake também contribuem para manter o clima angustiante da música. A letra mais uma vez fala sobre a condição do espirito humano, o que leva alguns fãs e críticos a crer que In The Court Of The Crimson King seja uma um álbum conceitual. Outro aspecto que pode levar a esse julgamento é a ideia de que os quatro primeiros trabalhos do King Crimson estariam todos relacionados a mitologia ocidental, onde cada álbum representaria um elemento. O primeiro álbum representaria o vento. O seguinte a água. O terceiro álbum, Lizard, representa o fogo, já o quarto trabalho, Islands representa o elemento terra.

Em seguida, chegamos em Moonchild, uma faixa que para muitos seria perfeita se terminasse aos 2 min de música. Para mim, essa música é bastante importante para o álbum pois ela contem algo que seria muito presente na carreira do King Crimson - o experimentalismo. A partir dos 2min e meio se inicia um grande improviso jazzístico que dura até o encerramento da música. É uma bela faixa que divide opiniões.

Por fim, a faixa titulo do disco conta com uma atmosfera medieval - invocada pela flauta de Ian McDonald, um fundo contando com a presença do mellotron e um refrão cantado em coro por toda a banda. O baterista Michael Giles aparece bastante mais uma vez.

Para muitos, o melhor álbum da banda mestre do rock progressivo. Um álbum para mudar seus conceitos sobre música.


01 - 21st Century Schizoid Man


02 - I Talk To The Wind